O dia nem clareou direito e as quadras de areia de Ribeirão Preto já estão
cheias. A música toca, as risadas se misturam ao som das raquetes e a energia
é leve. O beach tennis virou febre na cidade, e quem entra na areia dificilmente
quer sair.
Foi o que aconteceu com a Mariana Queiroz Ferreira, de 23 anos, que conheceu
o esporte por acaso. “Uma amiga do crossfit me chamou pra fazer uma aula
experimental. Eu fui e fiquei encantada! Achei um lugar que aceitava meu
gympass e nunca mais parei”, conta a estudante de Arquitetura e Urbanismo. De
lá pra cá, a rotina mudou completamente. “Comecei a jogar às seis da manhã,
antes do trabalho. Achei que fosse cansar, mas foi o contrário: me sinto mil
vezes mais disposta pra encarar o dia.”
O entusiasmo se espalhou pela família. “Levei meu irmão, meu cunhado e até
minha mãe, que estava parada há um tempo. Hoje ela joga comigo e adora. O
clima é muito bom, os professores viram amigos e o pessoal ajuda bastante
quem está começando.”
Essa atmosfera acolhedora é uma das chaves do sucesso do beach tennis em
Ribeirão Preto. O professor Matheus Pimenta Colsani, que ensina o esporte há
alguns anos, diz que o crescimento foi rápido. “Quando comecei, quase não
tinha quadra. Agora tem arena em tudo quanto é canto, turmas cheias e até
torneios locais. O interesse é tão grande que muitas vezes precisamos abrir
novas turmas para atender todo mundo”, explica.
Segundo ele, o clima quente, o estilo de vida ativo dos moradores e a influência
das redes sociais ajudaram a popularizar o esporte. “As pessoas veem amigos
postando, vão assistir e acabam se interessando. O beach é democrático
qualquer um pode jogar e se divertir desde o início. É um esporte que mistura
lazer, condicionamento físico e socialização.”
O professor também destaca a diversidade do público. “Tenho alunos de todas
as idades, desde adolescentes até pessoas de mais de 60 anos. Cada um
chega por um motivo: uns pra competir, outros pra relaxar. Mas todos acabam
se apaixonando pela vibe. A areia traz essa sensação de liberdade.”
Mas nem tudo é areia fofa. Um dos principais desafios ainda é a estrutura. “A
chuva atrapalha bastante. Quando chove, muitas quadras alagam e as aulas são
canceladas”, comenta a aluna. O professor concorda: “Precisamos de mais
quadras cobertas e de capacitação de novos instrutores. A demanda é grande,
mas ainda faltam profissionais. O crescimento só será sustentável se vier
acompanhado de estrutura e qualificação.”
Mesmo com os obstáculos, o beach tennis continua crescendo. Arenas investem
em eventos, campeonatos e ações sociais que aproximam ainda mais a
comunidade. “Já realizamos torneios beneficentes, arrecadamos alimentos e
unimos o esporte a causas sociais. Isso mostra que o beach vai além da
competição: é um espaço de convivência e solidariedade”, ressalta o Matheus.
Para ele, Ribeirão Preto tem potencial para se tornar uma referência regional e
nacional. “O próximo passo é ampliar o calendário de eventos, atrair parcerias e
fortalecer o apoio público e privado. O público já existe, agora é continuar
construindo.”
Entre um saque e outro, o beach tennis segue conquistando espaço e corações.
Mais do que um esporte, virou ponto de encontro, terapia e uma forma de
começar o dia com os pés na areia e a cabeça leve.

