Entrevista

No interior da manipulação

Responsável pelo Departamento de Comunicação e Marketing da Internacional de Limeira, Juninho Bosco relembra os bastidores do confronto contra a Patrocinense, partida investigada por manipulação ligada a apostas esportivas
Juninho Bosco comenta os bastidores da partida entre Inter de Limeira e Patrocinense, investigada por manipulação de resultados - Foto: Arquivo Pessoal

O que mais te chamou atenção na partida entre Inter de Limeira x Patrocinense?
Juninho Bosco: O que chamou mais atenção foi no dia do jogo mesmo. Vimos que eles estavam com um time bem desfalcado, com jogadores improvisados em várias posições. Os dirigentes deles estavam bem irritados nas cabines durante o jogo, gritavam que tinha algo errado com os próprios jogadores. O rumor da semana, de que o time estava quebrado, sem uniforme e enfrentando sérios problemas internos, acabou chamando a atenção. 

Nos lances dos gols, você identificou algo incomum?
Vimos que foram lances que acontecem no futebol. Erro bobo acontece, como o frango, o tropeço, a bola que escapa… isso é normal. Estava acontecendo demais. Nunca nos passou pela cabeça que fosse de propósito. Para nós, era uma defesa em um dia horrível, e a Inter se aproveitando disso.

Foi notado logo após os gols ou só no pós-jogo que os lances soaram estranhos?
Durante o jogo mesmo. No intervalo, os dirigentes da Patrocinense desceram para o vestiário, dizendo que tinha algo errado acontecendo.  Era uma briga muito deles. A Inter tentou se manter alheia e apenas jogar a partida. 

Vocês pensaram que esse jogo seria investigado?
A gente nunca imagina passar por uma situação dessas. Com o tempo as notícias foram aparecendo. Entraram em contato com a Inter, falando que o jogo seria investigado, mas sem nenhuma evidência de participação da Internacional. Tanto que não fomos consultados depois, a investigação ficou toda em cima da Patrocinense. Depois ficamos sabendo de mais detalhes e pensamos: “Pode ser que tenha algo maior do que imaginávamos”.

Uma partida que foi investigada por gols “entregados”, acabou inferiorizando a vitória?

A gente não sabia de nada. Todos os treinos foram feitos corretamente, jogamos o melhor que podíamos e vencemos a partida. Internamente, trabalhamos dessa maneira com os nossos atletas. A gente sabe que na cabeça de muito torcedor, seja da Inter ou não, fica a impressão de que a Inter só fez os três gols  no primeiro tempo, porque isso já estava resolvido antes do jogo. 

Na sua opinião, a mídia cobriu bem o caso?
Entendemos que houve uma cobertura razoável, considerando que era um jogo de Série D, campeonato que não tem muita cobertura e não desperta tanto interesse da imprensa. Percebemos o uso do nome da Inter para chamar mais atenção. Para gerar cliques, a imagem da Inter acabou sendo arranhada em um momento em que não tivemos culpa nenhuma. Era de fato um jogo da Inter, mas nós percebemos uma má intenção de alguns veículos.

Na sua visão, a investigação afetou o desempenho da Inter nos jogos seguintes?
Acho que não, muito por causa da postura que adotamos logo depois. Dissemos aos jogadores: “Vocês são profissionais, trabalharam a semana toda, ficaram longe da família, fizeram todos os sacrifícios. Não houve nenhuma má-fé de vocês. Quem tem que dar satisfações à justiça, à torcida e aos patrocinadores não é a Inter e nem vocês, é a Patrocinense”.

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