Entrevista com o Jornalista Guilherme Nali sobre o sensacionalismo

Guilherme Nali

Laura: Na sua visão, como o sensacionalismo no jornalismo online se diferencia do
sensacionalismo praticado na televisão tradicional?

Guilherme Nali: Na TV, o sensacionalismo se consolidou em programas policiais dos anos 80 e 90, explorando
imagens de crimes e tragédias para prender audiência. Na internet, esse processo é ainda
mais rápido e intenso: qualquer notícia pode ser transformada em espetáculo por meio de
títulos chamativos e compartilhamentos em massa. A diferença é que, online, o público também
participa ativamente ao comentar e espalhar esse conteúdo.

Laura: O imediatismo das redes sociais influencia os jornalistas a exagerarem títulos e
manchetes para atrair cliques?

Nali: Sim. A pressa para publicar compromete a checagem e leva a títulos apelativos, que buscam
cliques mais do que qualidade. O resultado são notícias superficiais e, muitas vezes,
descontextualizadas.

Laura: Você acredita que a pressão por audiência e engajamento contribui para a propagação
de notícias sensacionalistas?

Nali: Com certeza. A busca por audiência faz veículos recorrerem a dramatização, exagero e
exploração da emoção. Isso acontece tanto na TV quanto no digital, onde os algoritmos
reforçam ainda mais a competição.

Laura: Quais são os limites éticos que um jornalista deve respeitar para não cair no
sensacionalismo?

Nali: • Objetividade.
• Checagem rigorosa e ouvir todos os lados.
• Respeito à dignidade humana.
• Uso responsável de palavras e imagens.
• Contextualização dos fatos.

Laura: Na prática, como identificar se uma notícia está sendo sensacionalista ou apenas
chamativa?

Nali: A notícia sensacionalista exagera, omite informações, usa linguagem apelativa e imagens
chocantes, sem checagem adequada. Já a chamativa pode ter um título forte, mas mantém
clareza, fontes confiáveis, contextualização e equilíbrio entre informar e atrair o leitor.

Laura: Como o sensacionalismo pode impactar a credibilidade de um veículo de comunicação a
longo prazo?

Nali: Ele mina a confiança do público, propaga desinformação, reforça preconceitos e naturaliza a
violência. Além disso, enfraquece a função social do jornalismo, que é informar e promover
reflexão.

Laura: Você acredita que o público realmente prefere notícias sensacionalistas ou acaba
consumindo por falta de alternativas?

Nali: Há os dois lados: parte do público gosta do extraordinário e do trágico, mas muitos consomem
por falta de opções acessíveis e de qualidade.

Laura: O jornalismo online pode encontrar um equilíbrio entre atrair audiência e manter a
qualidade e responsabilidade na informação?

Nali: Sim. O equilíbrio vem da qualidade, pluralidade e contextualização, somados à ética e à
checagem. O entretenimento pode ser usado, mas sem comprometer a responsabilidade
jornalística.

Laura: Que conselho daria para novos jornalistas que estão entrando nesse mercado digital
marcado por cliques e viralizações?

Nali: • Não sacrifique a apuração pela velocidade.
• Contextualize os fatos e ofereça visão crítica.
• Use palavras e imagens com responsabilidade.
• Evite cair no sensacionalismo, mesmo disfarçado de entretenimento.
• Use as ferramentas digitais para enriquecer a informação, não banalizá-la.
• Lembre-se: o jornalismo é para a sociedade, não só para o mercado.

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