Coleção de valor

O mercado de camisas raras é impulsionado pela paixão, e por que o sentimentalismo aumenta o preço das camisas de futebol no mercado

A paixão por futebol, para muitos, extrapola as quatro linhas do campo e se materializa em tecido, cores e escudos. O colecionismo de camisas de time deixou de ser um passatempo de nicho para se firmar como um mercado vibrante e uma manifestação cultural profunda. Por trás da busca pelo “manto” perfeito, existe uma motivação que combina o amor pelo esporte, a nostalgia e a satisfação da caça ao item raro, unindo pessoas de diferentes profissões e estilos de vida.

O barbeiro Fabrício Santorini, de 40 anos, ilustra bem essa jornada. Segundo ele, o gosto pela coleção começou cedo, por volta dos 13 anos, quando a paixão se estendeu do seu time de coração, o São Paulo, para a admiração por seleções e jogadores icônicos. “Acredito que quando comecei a entender melhor e pegar gosto não somente pelo time de coração mas pelas seleções, jogadores mais famosos etc. Tinha cerca de 13 anos, hoje já com 40 ainda coleciono na medida do possível”.

O elo emocional com as camisas é inegável e, muitas vezes, é o que dita o valor real de uma peça, superando o preço de mercado. Como aponta uma reportagem do Jornal do Brasil, as camisas de futebol englobam mais do que um simples traje, elas oferecem a oportunidade de preservar lembranças queridas associadas ao time ou jogador favorito.

No caso de Fabrício, o valor sentimental ficou evidente na perda dolorosa de itens antigos durante uma mudança. Entre as peças que “sumiram na mudança”, duas carregavam um peso emocional maior: uma camisa do São Paulo e outra da Costa do Marfim (segundo uniforme, branco com o elefante na frente). A ausência de um item afetivo, ainda que apenas um pedaço de tecido, ressalta a importância das camisas como âncoras de memória, capazes de evocar épocas e momentos inesquecíveis. A motivação para continuar, ele explica, é a satisfação da caça: “Acho que se torna um hobbie, não é sobre ter somente, é sobre adquirir algo difícil de achar, algumas antigas, e como alguém que gosta de colecionar algo, cada peça nova na coleção dá um valor de aumentar, de ir preenchendo as metas, porém sempre tem novas.”

O Perfil do Jovem Colecionador

Se Fabrício foca na nostalgia e na satisfação da caça, o perfil do colecionador mais jovem, como o estudante de direito Victor Mazarin, pode revelar uma dimensão mais voltada para o potencial de investimento cultural do objeto.

Essa segmentação é uma tendência forte no mercado, onde colecionadores definem metas claras. O blog da FutFanatics reforça essa ideia ao sugerir que colecionadores podem segmentar suas coleções, focando em clubes regionais, seleções, ou até mesmo em camisas de temporadas anteriores para dar “aumento na coleção” de forma mais estratégica. Para Victor, um objeto de estudo pode ser a propriedade intelectual do escudo e do design, ou o valor legal de um item autografado, “Claro que tem as camisas novas, que a gente usa para apoiar, mas o valor de verdade está naquelas que contam uma história pessoal’’.

Seja na busca emotiva por um item perdido que remete à juventude, como a camisa de Drogba de Fabrício, ou na coleção mais atual de Victor, o ato de colecionar camisas é uma forma de conexão. É a maneira que esses entusiastas encontraram de tocar a história do esporte, de preservar a memória afetiva e de pertencer a uma comunidade global que entende que o amor pelo futebol é, de fato, costurado em cada detalhe do manto sagrado.

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