A literatura brasileira tem atravessado fronteiras por caminhos distintos. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, ganhou nova projeção em 2020 com a tradução de Flora Thomson-DeVeaux, que apresentou ao público anglófono o humor ácido e a ironia filosófica de um narrador que fala “do além”. O livro surpreende leitores estrangeiros pela modernidade de sua forma e pela crítica social disfarçada de introspecção. Clarice Lispector, por sua vez, conquistou prestígio internacional com sua escrita existencial e fragmentada. A escritora francesa Hélène Cixous chegou a descrevê-la como “o que Kafka teria sido se tivesse sido mulher”. Já Paulo Coelho levou a literatura brasileira a um público global: O Alquimista é um dos livros mais traduzidos do mundo e faz parte de listas de leitura em escolas norte-americanas. Três autores, três modos de traduzir o Brasil: o irônico, o introspectivo e o universal. Juntos, mostram como nossa literatura fala múltiplas línguas sem deixar de ser brasileira.